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feminismoEla lutava pelos direitos das mulheresVânia era feminista e defendia a humanização do parto. Seu médico foi condenado na Justiça por duplo homicídio, mas se considera um mártir Vânia Araújo Machado costumava dizer que, para sua vida ficar completa, só faltava mesmo um filho. Aos 35 anos, depois de um tratamento de fertilização, comemorou a primeira gravidez com a mesma energia depositada em sua carreira profissional. Formada em Educação Física, dançarina e professora de dança, amante do teatro, feminista entusiasta, foi pedagoga e coordenou a implantação da educação infantil no município. Sua luta em defesa dos direitos da mulher a levou à coordenação geral da Coordenadoria Estadual da Mulher, criada em 1999 pelo governo do Rio Grande do Sul. Foi no final daquele ano, já exercendo o cargo, que engravidou. Havia conhecido o companheiro, Marcelo D’Elia Branco, numa passeata pelas ruas de Porto Alegre, e nunca mais se desgrudaram. A opção pelo parto de cócoras parecia mais do que natural para os dois. Durante seis anos, foi paciente do obstetra e ginecologista Ricardo Herbert Jones, considerado uma autoridade em parto humanizado, e fez com ele todo o pré-natal. Vânia era uma ativista tão convicta que em seu chá de fraldas convidou o médico para falar sobre o tema para suas amigas. No dia 12 de setembro de 2000, quando ela deu entrada no hospital, em Porto Alegre, já havia escolhido o nome do filho, Cauê. “Às 10h ela estava com dilatação completa”, acredita Branco, que ficou com a mulher todo o tempo, acompanhado por uma amiga que levou sua câmera para filmar o nascimento. Mas o bebê não nascia, e o pai começou a ficar apreensivo. O obstetra o tranqüilizou, disse que estava tudo bem. Vez ou outra, a câmera o filmou escutando o coração da criança. Relatos dos médicos que ouviram a gravação depois indicam que talvez o bebê já estivesse com bradicardia (diminuição da freqüência cardíaca). Às 14h10min o médico decidiu fazer uma cesariana. “Não havia anestesista preparado para uma emergência, tiveram de trazer de fora do hospital”, conta o marido. Quando o profissional finalmente chegou, e a cesariana foi feita. Cauê nasceu sem batimentos cardíacos. Foi reanimado, ficou vários dias na UTI do hospital em estado vegetativo, e morreu. Vânia resistiu 24 dias depois da cesariana. Teve de passar por nove cirurgias, até sua morte, em 5 de outubro de 2000. Entre elas, a retirada do baço e do útero. Morreu 14 dias antes do filho. O choque pela perda da mulher e do filho levaram Branco a não questionar nada. Até que as amigas de Vânia e os familiares começaram a perguntar o que havia acontecido de errado. Foram levantando fatos e laudos. Os peritos concluíram que o trabalho do parto havia se prolongado mais do que o recomendável, causando o sangramento e as complicações. O médico, por sua vez, alega que Vânia sofreu “uma embolia aguda por líquido amniótico durante o trabalho de parto, doença impossível de prever ou prevenir”. E que, curada da doença, “ela morreu mesmo foi de catapora, infectada dentro do hospital”. Com a assessoria jurídica especializada da ONG Themis, a família de Vânia conseguiu comprovar suas suspeitas na Justiça. Jones foi condenado na área penal por dois homicídios culposos (sem intenção) - de Vânia e Cauê. Cumpriu a pena de dois anos e quatro meses de serviço comunitário e pagou a multa de 20 salários mínimos para a Associação Beneficente Fraterno Auxílio Cristão da Sagrada Família. O processo ético-profissional realizado junto ao Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (CREMERS) em 2003 determinou, por unanimidade, a pena de suspensão do exercício profissional por 30 dias “por não ter feito qualquer registro, em prontuário, da evolução da paciente durante mais de seis horas de acompanhamento de trabalho de parto”; por negligência, “ao não atentar e valorizar as condições fetais, ao retardar a indicação de cesariana e ao não usar dos meios disponíveis no hospital para melhor monitorizar a viabilidade fetal”. Diz ainda o acórdão do CREMERS que Jones “foi imprudente ao não providenciar anestesista mais cedo, ao menos após as grandes evidências de desproporção, e imperito ao não diagnosticar a distocia (parto difícil) subseqüente e ao realizar uma histerectomia puerperal (retirada do útero depois do parto) para controle de sangramento em condições graves, incompleta e inadequada”. O acórdão do CREMERS pode ser acessado na íntegra no blog criado pelo marido de Vânia. Jones recorreu da decisão. O recurso foi julgado pelo Conselho Federal de Medicina, que decidiu pela pena de advertência privada: isso significa que o médico não chegou a ser suspenso, nem a decisão foi noticiada pela imprensa. Para ele, foi como uma absolvição. Passados oito anos, sequer cogita que pode ter ocorrido alguma falha em sua conduta. Ao contrário, diz que o período de trabalho de parto de Vânia foi até rápido em comparação com o de outras mulheres, que chamou o anestesista para fazer a cesariana quando detectou uma anormalidade e que ficou perto de sua paciente todo o tempo. Arrepende-se apenas de não ter feito um prontuário melhor, que o protegesse “das agressões dos colegas”. Aos 48 anos, 23 de profissão, Jones é filiado à Rede pela Humanização do Parto e Nascimento e à International MotherBaby Childbirth Organization, e orgulha-se de viajar pelo mundo dando palestras em defesa de um modelo de parto que, segundo ele, “dignifica o nascimento, devolve o protagonismo e a autonomia à mulher e diminui a mortalidade materna”. Considera-se um mártir. “Imagina um indivíduo que entra num hospital privado de Porto Alegre onde ocorrem 90% de cesarianas e atende partos normais - esse indivíduo incomoda por sua prática e por seu discurso: por pertencer a uma organização nacional e por ser um porta-voz destas idéias”, diz. “Todos os profissionais que ousaram se postar corajosamente contra o poder constituído sofreram coisas parecidas com o que sofri, isso não é novidade. O teu “patrício” Freud (diz para a repórter, que é judia) sofreu a mesma coisa, foi estraçalhado pelo conselho dos médicos de Viena. O Darwin, pior ainda. Galileu Galilei quase foi pra fogueira”. A história de Vânia virou um símbolo da luta contra a mortalidade materna no Rio Grande do Sul. Seu nome foi dado a um centro de referência que atende mulheres que sofreram todo tipo de violência. Fonte: Revista Época
Submitted by nanda on Mon, 14/07/2008 - 8:35pm. categories [ coisas da vida | feminismo ]
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O que eu gostaria de ver no fisl10?
1) Sessões técnicas mais longas. Seria muito bom que tivéssemos como 10 salas de aula, onde diferentes projetos de SL dariam oficinas de desenvolvimento. Andei conversando com o Theodore e o Randal, e acho que pelo menos uma de kernel e outra de Smalltalk vai pra frente certo. Queria ainda ver se temos como fazer oficinas de desenvolvimento Gnome, Kde (já tivemos este ano) e treinamentos de linguagens de programação. Seria muito bom se tivéssemos mais tempo para aprofundar as introduções dadas nos 50 minutos que os palestrantes tem. 2) Alojamento para estudantes. De alguma forma, temos que organizar alojamento de graça para estudantes que venham com as caravanas das universidades. Algo tipo um acampamento, ao estilo Campus Party, não sei ainda, mas tem que ter. Isso vai ajudar os estudantes em geral a poderem ir ao evento mesmo se não morem em Porto Alegre, porque não terão custos de hospedagem. 3) Proibição de uso de sistemas operacionais proprietários pelos palestrantes. Eu entendo que existem projetos de SL rodando em windows, e também sei que eles tem valor. Acho que excessões podem existir se for realmente importante. Porém a regra deve ser: se o coordenador de mesa/recepcionista ver que é windows ou mac, cancela a sessão. Acho que o fisl tá grande demais, e alguns valores as vezes acabam perdidos. Não podemos deixar a essência se desviar. O público talvez reclame, mas isso ajudará o entendimento do porque o fisl existe. 4) Revisar o processo da chamada para avaliações. Alguns avaliadores somente participaram do processo para ganhar entrada grátis no evento. Precisamos arrumar uma forma de atrair pessoas que se comprometam a fazer o fisl melhor, montar comitês internacionais para seleção de trabalhos de áreas específicas, esse tipo de coisa. Acho que a avaliação deste ano deixou um pouco a desejar. Mas também sei que as pessoas que fizeram parte dela legitimamente ajudaram muito. A participação da comunidade foi importante, precisamos aprimorar o processo. 5) Uma sala por trilha? Talvez se conseguíssemos acomodar todas as palestras de um assunto x em uma sala somente, facilitaria a vida de quem vem ao fisl com um objetivo/interesse em específico. Uma criatura poderia chegar pela manhã e dizer "vou passar o meu dia sentado na sala X, porque gosto do assunto a e b que estão sendo tratados lá". Se eu conseguir fazer alguns desses pontos acontecerem, estarei feliz. Acredito que o fisl está amadurecendo, e crescendo muito como é óbvio. Precisamos ficar atentos aos valores que motivam nossa comunidade para que eles não se percam, e tentar aprimorar o nosso evento preferido. Eu tô fazendo a minha parte, e você? Se eu quero ver o fisl10 com 10mil? Na realidade eu não quero. Quero ver um fisl10 com mais qualidade do que os anteriores, e grandes quantidades não refletem isso. Ah, e eu gostaria de ver uma equipe de temário igual essa aí da foto. Modéstia à parte, matamos a pau! :)
Submitted by nanda on Sun, 04/05/2008 - 12:04pm. categories [ blog in portuguese | feminismo | software livre ]
nanda's blog | 1561 reads
Telecentro Feminista - Primeiros dias de cursoDurante este último final de semana começou o curso de informática básica do projeto Telecentro Feminista, que eu em nome do PSL Mulheres estou ministrando para mulheres envolvidas principalmente com economia solidária. Confesso que esta é minha estréia como instrutora de informática básica, e foi realmente surpreendente a resposta tão bela que eu tenho tido dessas mulheres quando ajudo elas a fazer as coisas para mim mais simples, como criar uma conta de e-mail. Comecei conversando sobre software livre, falando de como trabalhamos, como é o Projeto Software Livre Mulheres, a que se propõe, etc. Depois brinquei um pouco pela internet com elas, criei algumas contas de e-mail e ensinei elas a acessar alguns sites básicos. E este foi o primeiro dia. No segundo dia, domingo, participou um número BEM menor de mulheres, porém todas muito interessadas. Trabalhamos edição de texto e criação de planilhas, e no final da aula, a exemplo do que foi feito na aula anterior, brincamos na internet e eu criei algumas contas de e-mail para outras participantes. Ensinar as pessoas a dar um clique no mouse, mostrar como acessar páginas de internet, como usar um corretor ortográfico. Isso sim é a verdadeira alfabetização digital. E eu estou muito feliz por ser uma agente de inclusão dessas mulheres nesse novo mundo de possibilidades. No segundo dia fiz como exemplo na aula uma planilha que elas poderiam melhorar para calcular os lucros e custos de uma cooperativa que trabalhará como restaurante durante o Fórum Social Mundial. E eu vi nos olhos delas como sentiram que a tecnologia pode trabalhar pertinho de cada uma, e como é útil. No final de semana tem mais, e certamente será tão fascinante quanto este. Espero ansiosamente. A parte ruim é que eu tinha que acordar às 4 da manhã para ir para o aeroporto pegar meu vôo, que era às 6. Acabei não conseguindo dormir e estou caindo de sono agora. Ossos do ofício.
Submitted by nanda on Mon, 18/10/2004 - 11:59am. categories [ blog in portuguese | coisas da vida | feminismo | software livre ]
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